Para começar este primeiro post gostaria de ressaltar a chegada do layback na net. Acredito que unir boas e inovadoras idéias a profissionais competentes e criativos seja a fórmula certa para definir esta nova empreitada. Além de meus amigos, a galera do site pega onda e está sempre monitorando todos os acontecimentos ligados ao surfe no mundo. A iniciativa de unir blogs de atletas profissionais do Brasil todo é boa tanto para nós quanto para o site. Nós ganhamos eficiência para transmitir nossas mensagens com total liberdade. O site ganha dinamismo sobre uma outra perspectiva, a de quem convive neste meio profissionalmente no seu dia a dia. Portanto, antes de qualquer coisa, vida longa ao layback!
Pensei durante alguns dias sobre qual tema escreveria neste primeiro post. Diante de vários fatos importantes que vem acontecendo no cenário mundial do surfe, qual escolheria? O fenômeno Medina deixando o mundo do surfe de boca aberta com suas consecutivas conquistas? Ou o recente depoimento invocado de Bobby Martinez em entrevista logo após sua bateria em NY, na última etapa do WT? Poderia também falar das diversas vitórias dos brasileiros nos circuitos mundiais (WT, WS, BWWT) este ano. Por fim, desisti de todas essas opções. Isso porque fiquei realmente impressionado com a performance de alguns brasileiros em um dos maiores swells da história de Teahupoo.
Os primeiros nomes que me vêm a cabeça são Felipe “Gordo” Cesarano, Pedro “Scooby” Vianna, Rodrigo Koxa, Vitor Faria, Maya Gabeira e Carlos Burle. Koxa e Vitor há alguns anos já vêm mostrando que estão dispostos a encarar qualquer bomba, principalmente em Tchopo.
Maya é tetra campeã do maior prêmio de ondas grandes do mundo na categoria feminina. Burle dispensa comentários quando o assunto é big surfe. No entanto, o que me fez pensar muito sobre esse último swell foi a presença dos meus amigos de infância Gordo e Scooby. Não porque eu pensei que eles não seriam capazes de fazer o que fizeram, mas porque isso me fez pensar lá atrás, quando éramos moleques e pegávamos onda no Recreio.
Eu, Gordo, Scooby e mais uma penca de moleques surfávamos juntos diariamente. No início nos encontrávamos na escola de surfe do Jê (Jerônimo Teles, ex surfista profissional e grande amigo até hoje), depois nos treinos do Careca (Cristiam Moutinho, nosso treinador na época das competições amadoras). Com o tempo cada um foi buscando seu objetivo. Alguns buscaram as competições, outros o free surf e de pouco tempo para cá comecei a observar o Gordo e o Scooby com esse papo de virar big rider. Rapidamente comecei a ver o resultado desse “papo” dentro d’água. Scooby pegou um tubasso ano passado no México e concorreu ao prêmio de melhor tubo do ano no XXL. Gordo impressionou com duas bombas em 2010, uma em Waimea e outra em Puerto. Recentemente ele conquistou sua primeira final (terceiro lugar) no mundial de ondas grandes em sua segunda chance no circuito. Até então eu estava achando tudo uma maravilha. Mas no último swell, que atingiu a costa tahitiana durante a etapa do WT me fez repensar tudo que vivi com esse caras até aqui.
Gordo me ligou um dia antes de partir pro Tahiti, pegou uma prancha emprestada na minha casa e disse que o maior swell da história estava para chegar. Recebi notícias de que o Scooby estava em Lua de Mel por lá e que também estava disposto a pegar a bomba. Fiquei apreensivo até o dia mais esperado e esse dia, que marcou a vida dos moleques, também marcou a minha. Fiquei abismado a cada frame que via das ondas dos moleques e preocupado quando soube dos “ferimentos leves” do gordinho. Durante aquelas horas que eu e boa parte do mundo do surfe estávamos acompanhando aquelas atrocidades, várias questões me vieram a cabeça. O que eu faria se estivesse lá naquela hora? Será que esses caras que estão surfando são realmente bem pagos pelo que fazem? Eles estão fazendo isso por amor ou pela grana/fama? Aonde essa superação em termos de ondas grandes vai chegar?
Fiquei em choque ao ver a imagem da atual campeã do XXL, Keala Kennedy, que abriu uma “rachadura” no rosto ao bater nos corais. Basicamente, quase todo mundo que surfou aquele dia teve algum tipo de lesão, mas graças a Deus nada muito grave. Hoje já estou mais tranqüilo e ainda não tive a oportunidade de falar pessoalmente com os moleques, pois estão todos cheios de compromissos profissionais com a mídia…rs. Só sei que final do ano estaremos juntos durante boa parte da temporada no Havaí e o que vai acontecer por lá, só Deus sabe…