Já perdi a conta de quantas vezes mencionamos “swells históricos” este ano. Pode parecer sensacionalismo, mas para quem é fã de surf, 2011 será um daqueles anos lembrados e comentados nas discussões mais importantes que dizem respeito ao assunto. O mais impressionante é termos tido a sorte de, assim como em Teahupoo, o dia histórico em Pipeline ter acontecido dentro da janela de um campeonato, sendo transmitido ao vivo via webcast para o mundo inteiro.
“10 a 15 pés. Segundo Reef fumegando. Maior Pipe que já tivemos para o campeonato, que me lembre.”
– Randy Rarick, Diretor do Triple Crown
Depois de um início de temporada relativamente devagar no Havaí, na noite que antecedeu o primeiro dia de Billabong Pipe Masters In Memory of Andy Irons, muitos não dormiram no Hawaii, tweets desesperados lotaram o twitter e, para dois surfistas, o dia teria uma importância mais que especial: Willian Cardoso e Kolohe Andino. Os dois convidados de última hora tiveram a oportunidade de acumular importantes pontos para o ranking unificado. O catarinense Willian Cardoso não se encontrou na água contra o havaiano Shane Dorian, em um momento estranho do mar com muitas ondas fechando. Já Kolohe, que se encontra em 24º no ranking e garante seu lugar na elite em 2012, passou a primeira bateria contra Laurie Towner – que deslocou o ombro duas vezes, deixando Kolohe sozinho no line-up – e depois caiu contra o havaiano Dusty Payne. Este cenário se repetiu por diversas vezes neste primeiro dia de Pipe Masters: contusões, cortes, muitas pranchas quebradas e domínio absoluto dos havaianos. Não só daqueles na elite mundial, mas dos wildcards, os especialistas de Pipe. Estes surfistas – muitos deles, só ouvimos falar nesta época do ano – se dedicam quase exclusivamente a esta onda e, em condições como estas, a oportunidade é perfeita para mostrar o resultado disso. Realmente fica difícil, mesmo para os melhores surfsitas do mundo, competir com o conhecimento que estes wildcards havaianos tem de Pipeline. Miguel Pupo caiu contra um dos melhores dentro d’água, Evan Valiere, quebrando uma prancha. Raoni Monteiro pegou Jamie O’ Brien em um momento difícil do mar, em que até mesmo J.O.B só conseguiu tirar um total de 5.33, acumulados em uma única onda. E, na última bateria do dia, Jadson André não pegou um havaiano, mas um floridiano tão perigoso quanto. O especialista C.J. Hobgood conseguiu pontos minuciosos que o fariam passar por uma diferença de 0.43 sobre Jadson. O brasileiro pegou duas ondas muito boas, sendo uma delas uma bomba dropada no crítico sob total controle e com uma ótima linha traçada por Jadson, mas talvez tenha lhe faltado a confiança e o conhecimento dos limites da onda de Pipe, e Jadson não chegou a se posicionar dentro o suficiente no tubo. A decepção havaiana veio com uma apresentação bem morna de Bruce Irons. Muitos de nós gostaríamos de ver Bruce no alto do pódio este ano mas, infelizmente, o Pipemaster caiu contra o sul-africano Travis Logie na bateria de menores pontuações do dia. Até mesmo Kelly Slater expressou sua preocupação com os wildcards, frizando que sua última caída em Pipeline tem mais de um ano. Outro ponto frizado por Slater foi o perigo que John John Florence representa em Pipe. John John surfa na companhia do 11x campeão desde que tinha 8 anos de idade e Slater, desde aquela época vê sinais de seu talento em constante evolução. Parece que o nome de John John já pode começar a ser inscrito no troféu do Triple Crown deste ano. O garoto está tão em casa – literalmente – que parece estar surfando um pico diferente de seus adversários. Pode-se dizer que Jamie O’ Brien também está neste nível e uma final com estes dois seria uma forma clássica de fechar este evento que já garantiu seu capítulo na história do Havaí e do surf no mundo. Assista ao Billabong Pipe Masters In Memory of Andy Irons ao vivo.






































































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