
Carissa Moore, vivendo momentos menos turbulentos durante sua campanha vencedora no Billabong Rio Pro do ano passado. Foto: Marcos Myara
Carissa Moore se encontra em maus lençóis nesse momento. A campeã mundial, após uma série de eventos infelizes em sua vinda para o Billabong Rio Pro 2012, etapa que foi campeã no ano passado, agora está presa no aereporto do Galeão, Rio de Janeiro, podendo ser obrigada a voltar para o Hawaii por conta de uma falha do consulado brasileiro.
Há um ano atrás, Carissa fez um visto brasileiro de 10 anos com seu pai mas, por algum motivo, só o visto de seu pai está correto, tendo no dela a permissão de permanência de apenas 180 dias. Ela explica tudo no post em seu blog Carissamoore.com, que você pode ler a tradução à seguir:
“Alguma vez você já ouviu o ditado, ‘quando chove, cai tempestade’? Bem, eu estou no meio da tempestade agora. Eu me sinto como aqueles personagens de desenho animado com uma pequena nuvem escura pairando sobre a minha cabeça durante as últimas 24 horas.
Vamos começar desde o início… Então, há dois dias … eu recebi um telefonema de American Airlines as 3 horas da manhã informando-nos que o nosso vôo direto para Dallas foi cancelado e que agora para chegar no Brasil eu precisaria voar do Kaui para LA e depois Dallas aí então Rio de Janeiro. Isso foi tudo bem, um pouco chato, mas no geral tranquilo. Arrumamos nossas malas e fomos para o aeroporto.
# 1: Quando chegamos ao aeroporto as atendentes não conseguiam encontrar as nossas reservas. Levou quase uma hora para recuperar os nossos bilhetes, mas felizmente conseguimos embarcar.
# 2: No Kauai, descobrimos que o nosso próximo vôo para LA estava duas horas atrasado… o que não nos deixou muito tempo para pegar o próximo vôo.
# 3: De alguma forma, nós conseguimos pegar a conexão. Caminhamos de um avião direto para o outro. Ufa!
# 4: Cerca de vinte minutos no ar uma senhora idosa ficou inconsciente. Tivemos que desviar para Las Vegas. O vôo de duas horas e meia se transformou em um vôo de 5 horas, mas valeu a pena. Fiquei feliz de ver a senhora se recuperar.
# 5: Escala em Dallas por cinco horas e depois de um voo de dez horas para o Brasil. Pensei que finalmente consiguiria sair do esquema aeroporto/avião pela manhã, quando chegamos no Rio … mas eu estava errada.
Antes do campeonato no Rio, no ano passado, eu e meu pai aplicamos para um visto de 10 anos mas no meu passaporte só havia um visto de 180 dias no país. Ou seja, hoje faz 180 dias que o meu visto venceu! Meu pai tem um visto de dez anos, mas por algum motivo, eu não. Então… Eu estou escrevendo isso de dentro da prisão do aeroporto no Rio de Janeiro. Eu estava quase perdendo a cabeça, mas agora eu estou tentando aceitar as circunstâncias e tentar não desperdiçar minhas energias com coisas que eu não posso mudar. No momento eu tenho três opções. opção 1: Voar de volta para os EUA hoje a noite. Outro vôo de dez horas para tentar obter um visto que pode levar cinco dias para ser aprovado. Até lá, o campeonato provavelmente terá terminado. opção 2: Voar para a Argentina e tentar conseguir o visto na embaixada brasileira de lá. Eles podem ser capazes de me dar um visto em poucos dias e, se der certo, eu consigo chegar em cima da hora para o evento. Ou, opção 3: Virar uma ninja e fugir deste aeroporto. Eu gosto da terceira opção.
Qual é o lado positivo desta situação? Há sempre um lado bom? Bem, eu tenho duas idéias. A primeira, é que é uma boa lição de paciência e perseverança. Eu não estou desistindo e eu não estou enlouquecendo. Neste ponto, tudo o que posso fazer é aceitar e torcer para o melhor. Não adianta pirar e desperdiçar minhas energias em pensamentos negativos. No entanto, eu já tive um colapso nervoso mas eu estou tentando esquecer dele. Segundo, prestar atenção aos detalhes! Meu pai e eu pensamos que nós estávamos com os nossos vistos certos e não nos preocupamos de verificar antes de sair dos Estados Unidos. Os atendentes da American Airlines nos EUA precisam trabalhar nisso também, uma vez que apesar de verificar os nossos passaportes, ninguém percebeu o erro.
De qualquer forma, me deseje sorte. E, torçam para que de alguma forma as coisas comecem a melhorar e assim poderei desfrutar do belo país que é o Brasil, pelos próximos dez dias. Tão perto e tão longe. Adeus por agora, de dentro do aeroporto no Rio ….”
Tradução: Andre Magarao/Layback.com.br
Boa sorte!
Update: Às 19:00h, Carissa Moore foi liberada pela imigração.