Segundo informações recentes, a ASP irá introduzir o teste antidoping nos atletas que participam do circuito mundial de surf já a partir do próximo ano.
A decisão foi tomada em uma reunião do conselho da entidade, com total apoio dos surfistas, durante a etapa de São Francisco, vencida pelo brasileiro Gabriel Medina.
As drogas estão presentes no esporte deste os anos 60, com o movimento da contracultura na Califórnia, que acabou criando o paradigma que o surf era uma expressão criativa, muito mais do que apenas uma atividade competitiva.
O fato é que ao longo de todos esses anos, muitos surfistas perderam suas vidas, ou não chegaram ao ápice de suas performances, em função das drogas. O exemplo mais recente que temos foi o do tricampeão mundial Andy Irons, que morreu sozinho em um quarto de hotel em Dallas, EUA, após ingerir um coquetel de drogas pesadas dias após deixar a etapa do WT em Porto Rico.
Mesmo a ASP tendo afirmado desconhecer os problemas de Andy com as drogas, o que ocorreu com o mito havaiano repercutiu negativamente em toda a mídia mundial, apesar de infelizmente já ter ocorrido também em outros meios esportivos.
Aqui no Brasil, não são poucos os exemplos de jovens promessas que acabaram sucumbindo as drogas e apagando suas estrelas. E quando falamos em drogas, não nos referimos apenas as mais pesadas, como cocaína, heroína, LSD, etc, mas também as lícitas, como o álcool, tabaco, ou mesmo as “recreativas”, como a maconha.
Até hoje, o único atleta surpenso por doping na história da ASP foi o catarinsense Neco Padaratz. Neco teve que se submeter ao exame na França, onde existem leis vigentes específicas em relação ao controle de doping. Na época, o brasileiro creditou o laudo positivo ao uso de suplementos alimentares, que causaram a detecção de substâncias proibidas em seu organismo.
Os detalhes sobre quais testes serão adotados pela ASP ainda são vagos. A única confirmação que temos é que já na primeira etapa na Gold Coast australiana – o Quiksilver Pro 2012 – os atletas terão que se submeter ao antidoping. Além da divisão masculina do WT, as meninas e a galera que participa das etapas Primes também deverão passar pelo exame.
Este pode ser o primeiro passo para a legitimação que o surf profissional tanto anseia. Porém, depois do erro de cálculo da Associação de Surf Profissional, que deu a Kelly Slater o título de campeão mundial de 2011 precocemente – resultando em inúmeras piadas, além da renúncia do CEO Brodie Carr e do tour manager Renato Hickel, ambos da ASP – parece que o caminho ainda é longo.
